{"id":840,"date":"2016-08-12T09:30:11","date_gmt":"2016-08-12T12:30:11","guid":{"rendered":"http:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/?p=840"},"modified":"2021-02-17T10:32:30","modified_gmt":"2021-02-17T13:32:30","slug":"volta-dos-ciganos-e-o-efeito-das-reencarnacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/2016\/08\/12\/volta-dos-ciganos-e-o-efeito-das-reencarnacoes\/","title":{"rendered":"A Volta dos Ciganos &#8211; E o efeito das Reencarna\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-841 alignright\" src=\"http:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/10-A-Volta-dos-Ciganos-p.jpg\" alt=\"10 - A Volta dos Ciganos-p\" width=\"350\" height=\"492\" srcset=\"https:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/10-A-Volta-dos-Ciganos-p.jpg 350w, https:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/10-A-Volta-dos-Ciganos-p-213x300.jpg 213w, https:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/10-A-Volta-dos-Ciganos-p-300x422.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Surgiam os primeiros raios de sol, prometendo assim uma primavera festiva naquele pequeno povoado, prov\u00edncia do Conde Rafael, jovem vi\u00favo e herdeiro que gozava de todos os requintes da corte russa. Tudo prometia \u00e0quele belo dia de sol, todos queriam ser acariciados por ele. Foi ent\u00e3o que despertou-me tamb\u00e9m aquela alegria. Oh meu Deus! Come\u00e7o a lembrar-me como se fosse hoje; lembro-me, lembro-me sim!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Estava ali naquela pequena pra\u00e7a uma linda cigana, que cantava dan\u00e7ando em sua gra\u00e7a ricamente vestida. Que quadro original pensei. Chegando-me mais para perto, pude melhor observar. Algu\u00e9m ent\u00e3o conhecendo foi me explicando: \u00e9 um magn\u00edfico casal de z\u00edngaros, aquele menino \u00e9 tamb\u00e9m um pequeno z\u00edngaro, filho deles \u2013 percebi logo, e n\u00e3o sei porque cada vez mais chegava-me para perto daquele suntuoso quadro. E ali embevecida n\u00e3o reparei que j\u00e1 estava bem tarde para melhor atender as exig\u00eancias de meu patr\u00e3o, o Conde Rafael, pois eu era governanta do Castelo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Senti que estava atrasada e segui para casa sem perca de tempo. J\u00e1 estava eu nos meus afazeres dom\u00e9sticos, quando entra desesperado meu adorado patr\u00e3o, trazendo em seu semblante um quadro de dor. Fui-lhe ao encontro&#8230; \u2013 que te passas meu filho? (disse eu com a familiaridade que t\u00ednhamos) diga, diga o que te passas meu bom menino! Oh minha boa Antera&#8230; (continuou ele) sempre foste compreensiva e sincera, diga-me o que devo fazer agora ap\u00f3s minha triste atitude&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Meu filho, que fizeste?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Sim, foi horr\u00edvel! Encontrei-me com uma bela cigana e a induzi a seguir-me.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Oh meu Deus, como pude ser t\u00e3o cruel, arranquei-a de Augusto, seu esposo e mandei que a trouxessem para aqui com o seu pequeno rebento. Oh minha querida Antera, se pudesse remediar o mal que cometi. Sim, sim, deve haver uma for\u00e7a especial para fazer-me cometer t\u00e3o ign\u00f3bil ato, diga, diga alguma coisa, minha bondosa Antera.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Fiquei parada ali sem nada o que dizer, enquanto pensava mil coisas. Ora veja s\u00f3, como pode meu Deus! Aquela linda cigana viver agora entre n\u00f3s, e qual seria o fim de tudo aquilo? Vamos, vamos aonde est\u00e1 essa cigana, disse-lhe por fim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u00c9 verdade, estava ali a cigana e seu filhinho de uns tr\u00eas anos mais ou menos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Seja bem vinda a esta casa, linda cigana (disse eu) \u2013 Sou a Governanta deste Castelo, para servir-lhe no que desejar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Oh (disse ela com gra\u00e7a), como sois boa, senhora&#8230; por\u00e9m, sou uma pobre cigana que pretende servir e n\u00e3o ser servida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Verdade? Serviremos mutuamente (disse para arrematar).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Foi ent\u00e3o que a crian\u00e7a come\u00e7ou a chorar. \u2013 Deve estar com fome (retruquei), e sa\u00ed para preparar qualquer coisa para ele. Chama-se Yatan (disse a m\u00e3e), e desde j\u00e1 entrego-lhe boa senhora, eduque-o nos seus costumes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Miseric\u00f3rdia, quase gritei de medo, pois as caracter\u00edsticas do pequeno cigano, nada ofereciam de bom.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Passaram-se dias ap\u00f3s a chegada desta cigana no Castelo. Foram celebradas as bodas do Conde Rafael e a linda Andaluza, era seu verdadeiro nome.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Tudo j\u00e1 voltava ao seu ritmo normal. A bondade e humildade daquela cigana deslumbrava a todos que a conheciam. Parecia verdadeiramente feliz o lindo casal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Certa vez voltando de um dos meus giros costumeiros com o pequeno Yatan, deparei-me com Andaluza em frente ao quadro da minha falecida patroa. A princ\u00edpio, pensei que ela estivesse admirando aquele quadro de t\u00e3o rico valor, por\u00e9m com o tempo, observei que chorava. A sala era ampla e de onde est\u00e1vamos pod\u00edamos ali permanecer sem sermos vistos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">O menino olhou para mim e disse: &#8211; Antera n\u00e3o fa\u00e7as ru\u00eddo que assuste minha mam\u00e3e, ela lastima-se do lobo que comeu o meu papai&#8230; Ah! Sabe, Antera, quando eu crescer e for um homem, matarei todos os lobos at\u00e9 encontrar meu papai. Andaluza virou-se para n\u00f3s com os olhos rasos d\u2019\u00e1gua e um ligeiro sorriso de amargor. Era verdadeiramente linda, seus cabelos em mechas douradas destacavam em seu rosto oval um par de olhos verdes, caprichosamente rasgados; seus l\u00e1bios entreabertos exibiam um verdadeiro colar de p\u00e9rolas de mais rico valor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Sim, ela havia escutado todo aquele di\u00e1logo de seu filho comigo, pois veio ao encontro e pegou-o no colo dizendo: &#8211; Pobre filhinho&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Venha minha querida, venha, quero que saiba tudo que aconteceu comigo e os meus. E arrastando-me para um pequeno sof\u00e1 perto da lareira, deixou cair seu esbelto corpo e com a linda cabe\u00e7a dourada no meu colo cerrou os olhos e come\u00e7ou a contar: &#8211; Querida Antera&#8230; Era uma vez uma infeliz tribo de ciganos, que tinha como Rei um jovem z\u00edngaro por nome Augusto (disse ela fazendo uma pausa e continuando com os olhos semicerrados, como se estivesse sentindo aquela presen\u00e7a do Conde Rafael, que havia entrado e ali tomando o seu lugar em uma cadeira \u00e0 nossa frente, n\u00e3o contando com o menino presente e bem consciente, esquec\u00edamos dele).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Sim minha filha, continue&#8230; Sei que nos faz bem este terr\u00edvel segredo de tua forma\u00e7\u00e3o. Desabafas, e me guias melhor, disse eu, continue minha bela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Sim&#8230; Augusto chamava-se ele, o nosso Rei! Lembro-me ent\u00e3o, tinha eu quatorze anos quando uma velha Profetisa disse \u00e0 minha m\u00e3e que eu haveria de me casar com um Rei de nossa tribo, porque do contr\u00e1rio n\u00e3o seria feliz. Guardei comigo aquela doce revela\u00e7\u00e3o. Certo dia quis o destino envolver-me em suas galhofas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Quando morreu o nosso velho Rei, deixando dois filhos g\u00eameos na disputa de seu trono, eram Braz e Augusto, um dos dois teria que ser o nosso Rei e um dos dois havia de desposar-me. Houve ent\u00e3o a grande disputa, Braz ganhara com todas as pompas; que feliz seria quando esposa de Braz. Oh! Meu Deus, em meu pequeno cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 palpitava o amor de Braz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">No entanto todos ali temiam que Augusto n\u00e3o aceitasse sua derrota, por\u00e9m eu em minha criancice, n\u00e3o pensava sen\u00e3o no meu amor ao Braz, at\u00e9 que o mau dia chegou. Era bem tarde da noite&#8230; Come\u00e7avam os primeiros sinais do outono, quando uma forte discuss\u00e3o se ouviu l\u00e1 fora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Sa\u00ed de minha barraca a ver o que se passava. L\u00e1 estavam Braz e Augusto. Augusto partiria com alguns ciganos ambulantes e deixava Braz com o seu povo. Assim pensei: est\u00e1 tudo resolvido! E qual n\u00e3o foi o meu desgosto ao despertar-me no outro dia a ver-me nas garras de Augusto. Sim, Augusto havia me roubado altas horas da noite sem que eu houvesse despertado. Destino. Oh! Cruel destino&#8230; Continuava a bela cigana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">E sem que eu me refizesse daquele susto, foram celebradas as bodas nupciais minhas e de Augusto, tudo estava terminado para mim. At\u00e9 que certo dia Augusto decidiu chegar at\u00e9 aqui. Era mesmo imposs\u00edvel aquele homem. E por isto de nada valeram os nossos conselhos e nem t\u00e3o pouco as profecias dos S\u00e1bios Profetas. E, portanto tivemos que fazer este triste trajeto em respeito ao nosso caprichoso Rei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Ah, foi horr\u00edvel&#8230; quando j\u00e1 est\u00e1vamos no meio do caminho come\u00e7ava a nevar. De um dia para outro est\u00e1vamos no mais terr\u00edvel oceano de gelo. Como fazer? Os nossos aquecedores ficaram imprest\u00e1veis e a ca\u00e7a muito perigosa. Prefiro n\u00e3o descrever os dias de tortura que passamos aprisionados em nossas barracas. Augusto escondia o alimento e nos dava ra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Bastante tempo demorou aquela tortura. Foi at\u00e9 que uma noite fomos surpreendidos por uma forte tormenta. N\u00e3o tivemos tempo para pensar; o vento soprava arrancando as barracas dos lugares num desastre de dor. Oh! Santo Deus! Sem que pudesse nos refazer ou procurar atender aos feridos, famintos animais investiram contra n\u00f3s. Foi uma verdadeira luta da vida contra a morte&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Oh! Virgem Santa! Detr\u00e1s de uma barrica que havia rolado, fui testemunha ocular daquele triste cen\u00e1rio. Sim, triste, muito triste. As feras lan\u00e7ando-se contra aqueles desafortunados ciganos, n\u00e3o nos dando tempo para qualquer defesa sequer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Eram lobos, lobos! Eu os vi! E ap\u00f3s todo aquele terror que eu havia registrado. Oh! Meu Deus! At\u00e9 agora parece-me ouvir os uivos daqueles animais que fugiram levando suas v\u00edtimas na imensid\u00e3o daquela tr\u00e1gica noite. \u00c9 verdade, estava eu ali, n\u00e3o havia sonhado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Corri os olhos ao redor, vi que tudo havia sido destru\u00eddo e que apenas restavam eu e Augusto. Tudo, tudo acabado. Dizia a cigana, como se estivesse vivendo outra vez aquele drama t\u00e3o triste e at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido para mim e ao Conde Rafael, e sem que pud\u00e9ssemos impedi-la, continuou:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Ah, foi horr\u00edvel!&#8230; E muito r\u00e1pido, sentia agora uma forte dor na cabe\u00e7a, quando um grito rouco de algu\u00e9m que me chamava: Andaluza, Andaluza&#8230; em seguida quis responder, mas a voz n\u00e3o me sa\u00eda, estava petrificada; o \u00fanico sinal de vida era aquela terr\u00edvel dor de cabe\u00e7a e ali talvez tenha adormecido. Acordei com os gritos de Augusto novamente, j\u00e1 n\u00e3o me chamava, mais parecia um louco; corri para perto dele quando tropecei em alguma coisa, abaixei-me para ver, oh! Meu Deus, eram os restos de Cala\u00e7a, minha querida protetora. Quantas vezes as chibatadas que Augusto me lan\u00e7ava ela as enfrentava por amor a mim&#8230; Estava eu ali, com o meu triste destino, tudo, tudo infelizmente era verdadeiro!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o sei por quanto tempo passamos abra\u00e7ados eu e Augusto, com medo de olharmos ao redor. Ap\u00f3s algum tempo ele balbuciou: Luza, querida, que nos resta fazer?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Esperarmos a nossa vez! Respondi pressentindo novas desgra\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Passamos desgra\u00e7adamente dois dias, dentro do carro\u00e7\u00e3o que havia ficado de p\u00e9. Augusto desesperado pagava um pre\u00e7o exorbitante de sua perversidade. Nada nos restava sen\u00e3o esperar a triste morte. Odiava Augusto com toda a for\u00e7a do meu cora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">J\u00e1 n\u00e3o podia suportar aquela terr\u00edvel espera, resolvi ent\u00e3o matar Augusto e a mim, depois de livre o meu Esp\u00edrito, correr, correr at\u00e9 encontrar a minha querida Cala\u00e7a. Sim, apalpei o punhal que trazia no seio, Augusto dormia com pesadelos, gemendo e virando-se de vez em quando de um lado para o outro. Ser\u00e1 agora, pensei&#8230; Empunhando com toda for\u00e7a o meu pequeno punhal. Augusto estava agora calmo, sua camisa desabotoada exibia no seu peito forte o medalh\u00e3o; emblema da saudosa tribo dos Katshimoshy; comecei a fit\u00e1-lo, como se os meus olhos estivessem pregados sobre aquela j\u00f3ia tradicional dos Katshimoshy, o que estava acontecendo e o que aconteceria quando soubessem do triste final de Augusto e o seu povo? \u2013 Meu Deus, n\u00e3o ficara ningu\u00e9m que possa contar esta triste hist\u00f3ria, porque eu matarei Augusto, matar-me-ei logo depois e correrei em busca de minha querida Cala\u00e7a&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Augusto parecia que desafiava-me respirando profundamente. Levantei o bra\u00e7o decidida a sangra-lo quando ouvi uma voz familiar: &#8211; Luza, minha filha, pelo amor de Deus, como o desespero a fez cruel!&#8230; N\u00e3o tens respeito \u00e0s rel\u00edquias dos profetas Katshimoshy? N\u00e3o temes os seus encantos? Olha minha filha, bem perto daqui habitam pequenos seres selvagens, que bem poder\u00e3o ser dominados. Tu \u00e9s loira e bonita, e eu te preparei com os encantos dos Katshimoshy, Augusto n\u00e3o precisa, pois j\u00e1 os tem (olhei em seu peito reluzia o encantado emblema). Disse afinal: Oh, quem dera n\u00e3o estar delirando!&#8230; Cala\u00e7a continuou: N\u00e3o est\u00e1s delirando, aqui estou em Esp\u00edrito e Verdade. N\u00e3o cr\u00eas nas manifesta\u00e7\u00f5es dos Esp\u00edritos? Nas revela\u00e7\u00f5es dos Profetas? Pois bem, eu te darei uma prova. Desapareceu ap\u00f3s dizer isto. E eu como se estivesse sonhando, despertei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Por\u00e9m, sem o m\u00ednimo desejo de matar aquele que seria em breve o pai de meu filho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Debrucei sobre o seu peito e chorei por longo tempo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Augusto sem nada desconfiar acordou e come\u00e7ou a acariciar-me. Comecei a perceber, ent\u00e3o eram os fen\u00f4menos de Cala\u00e7a, que haviam me transformado daquela maneira. Augusto me apertava contra o peito cada vez mais e eu pela primeira vez admiti sem nenhuma recusa \u00edntima.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Cala\u00e7a sempre boa a mostrar-nos bons caminhos, apesar de desencarnada, estava ali, ajudando-nos a enfrentar t\u00e3o terr\u00edvel destino. Grande culpa a de Augusto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Depois deste meu encontro com Cala\u00e7a, senti uma grande vontade de viver.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Certo dia, Augusto decidiu sair por aqueles arredores, deixando-me s\u00f3 na barraca. Ocupei-me dos meus poucos afazeres, quando gritos estranhos me sobressaltaram, e vi pequenos homens selvagens que se arremessavam contra a porta de minha infeliz \u201ccasa\u201d, senti neste instante uma for\u00e7a suprema percorrer todo o meu corpo, como se nada temesse daqueles pequenos seres, abri a porta e na soleira esperei, desafiando aquela pequena tribo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Na propor\u00e7\u00e3o que eles vinham chegando eu pensei mil coisas, pensava em Cala\u00e7a, pensava tamb\u00e9m que j\u00e1 era a minha feliz hora; feliz sim, porque eu a esperava como liberta\u00e7\u00e3o do meu Esp\u00edrito. Olhei ao longe e vi Augusto que talvez atra\u00eddo pelos gritos vinha correndo em nossa dire\u00e7\u00e3o. Mas, os pequenos homens estancaram \u00e0 minha frente e um deles ordenou que me pegassem e puxaram-me \u00e0 frente do pequeno grupo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o reagi, nem tampouco manifestou-me desejos de lavar algum objeto de minha barraca, ao contr\u00e1rio, desejava esquecer tudo, esquecer o meu passado, mesmo que o meu infeliz destino naquele instante estivesse a gargalhar de mim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Os pequenos homens continuavam com os seus gritos, por\u00e9m, n\u00e3o me assustavam, n\u00e3o me davam o menor medo sequer e eu olhava Augusto que corria. A sensa\u00e7\u00e3o de que ele n\u00e3o nos alcan\u00e7ava dava-me mais paz. Os homens caminhavam quase correndo. Quando j\u00e1 hav\u00edamos percorrido um enorme trecho fomos tomados por uma terr\u00edvel tormenta; o vento nos fazia medo. Desabamentos, vales, tudo queria impedir o nosso caminho, por\u00e9m os pequenos homens faziam-me ver que eram peritos naquelas zonas tempestuosas. Fui ent\u00e3o cansando-me da viagem; a minha cabe\u00e7a rodava, parei e logo em seguida senti que algu\u00e9m me carregava. Quando acordei estava recostada numa pequena cama que mal me cabia e muitas mulheres ao meu redor, umas pegavam nos meus cabelos, outras mediam suas m\u00e3os com as minhas. Pensei ent\u00e3o: devem estar achando-me muito grande; observei que elas ou eles s\u00f3 eram am\u00e1veis comigo quando eu sorria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Ofereciam-me peixe, pois era sua comida mais f\u00e1cil. Era tamb\u00e9m visitada por todos da aldeia, sim, era um povoado com h\u00e1bitos selvagens.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Oito dias mais ou menos se passaram, quando na entrada da aldeia os pequenos guerreiros anunciavam a chegada de um estrangeiro. Fiquei l\u00edvida, s\u00f3 podia ser Augusto, corri para l\u00e1 e acenei que aquele estrangeiro era meu marido, os homenzinhos deixaram ent\u00e3o que entrasse. Foi f\u00e1cil para Augusto sintonizar-se com aqueles homens. Augusto contou toda nossa hist\u00f3ria mentindo a seu regalo; mostrou a toda tribo o emblema dos Reis Katshimoshy, e eles tamb\u00e9m nos apresentaram seus costumes. E seu povo, dizendo-nos serem ca\u00e7adores, Lap\u00f5es era o nome de sua tribo. Vivemos ali por dois longos anos mais ou menos. Eles nos adoravam, inclusive o meu filho Yatan que veio a nascer naquela long\u00ednqua tribo. Oh! Meu Deus. O fen\u00f4meno de Cala\u00e7a, o grande fen\u00f4meno, fez-me feliz depois de tantas desgra\u00e7as. Partimos dali, eu, Augusto e meu filho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Lindas peles trocamos nos mercados por agasalhos e moedas. Sofremos muito no longo e penoso tr\u00e1fego at\u00e9 aqui. Uma noite antes de entrarmos nesta prov\u00edncia, fui surpreendida novamente por Cala\u00e7a, sonhei que ela me dizia: &#8211; Luza, chegar\u00e1s amanh\u00e3 na prov\u00edncia de um Conde vi\u00favo que te desposar\u00e1 com as leis da C\u00f4rte, amanh\u00e3 aos primeiros raios do sol anunciar\u00e3o a primavera para o come\u00e7o de tua liberdade. Cante exibindo a tua gra\u00e7a. Adeus, minha Luza querida. Mesmo em sonho quis puxar a sua saia para impedir que fosse; qual nada, desapareceu diante dos meus olhos. Chorei descompassadamente e logo que o dia amanheceu contei a Augusto o meu triste sonho, sim, e qual n\u00e3o foi a minha surpresa, Augusto sorriu dizendo: &#8211; Veja s\u00f3, se isto fosse verdadeiro eu n\u00e3o sei como agradeceria \u00e0quela v\u00edbora daquela Cala\u00e7a, a livrar-me de voc\u00ea, seria um pr\u00eamio e eu n\u00e3o o mere\u00e7o, por Deus. Oh, gritei, chega! Cala\u00e7a n\u00e3o \u00e9 v\u00edbora, minha querida Cala\u00e7a, v\u00edtima de tua ignorante teimosia. Augusto dava gargalhadas que me davam medo. Foi ent\u00e3o que nos demos conta da profecia de Cala\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">E depois de contar toda sua hist\u00f3ria, a bela cigana deu um salto espregui\u00e7ando seu esbelto corpo, balan\u00e7ou sua linda cabe\u00e7a loira e disse: \u00c9 tudo o que fui e que sou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Rafael levantou-se e segurando-a pela cintura, beijou-lhe a testa. Depois chamou um criado ordenando-lhe que trouxesse o Bras\u00e3o e chegando eu o vi colocar aos p\u00e9s de sua esposa cigana e qual n\u00e3o foi a nossa surpresa; a cigana segurou aquele rico estojo e depois com os olhos rasos d\u2019\u00e1gua devolveu ao Conde, seu esposo, dizendo que a uma cigana n\u00e3o eram permitidos luxos daquela natureza. Se ela aceitasse estava violando as tradi\u00e7\u00f5es daquela nobreza. Colheste-me do lodo, amo-te em agradecimento, deste-me a paz e por isto n\u00e3o pretendo enlodar o que de puro encontro nesta nobreza, viverei como uma cigana, respeitando as normas dos Katshimoshy, do contr\u00e1rio Cala\u00e7a n\u00e3o me trar\u00e1 as b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus, e disse mais: Cala\u00e7a sabe tudo&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Rafael sorriu, gostando da humildade da cigana, por\u00e9m eu observei muito o menino com os olhos no estojo, que bem se podia ler seus pensamentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Depois destes esclarecimentos parec\u00edamos viver melhor, mesmo notando a aproxima\u00e7\u00e3o dos ciganos nas imedia\u00e7\u00f5es do Castelo, lembro-me tamb\u00e9m de haver tirado o menino muitas vezes do quarto, onde era guardado o Bras\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Andaluza j\u00e1 estava calma e at\u00e9 parecia feliz. Se tudo ocorresse normalmente, dentro de tr\u00eas meses daria a luz a uma crian\u00e7a. Rafael muito feliz esperava a chegada do filho que seria seu primog\u00eanito. Por\u00e9m o nosso infeliz destino j\u00e1 estava ligado \u00e0 inditosa cigana. O tempo corria e o menino cada vez mais ficava pior, mal educado e por muitas vezes desaparecia sem que ningu\u00e9m desse not\u00edcias, depois chegava contando coisas que n\u00e3o acredit\u00e1vamos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Certa manh\u00e3 passamos um grande susto, foi encontrado um cigano no p\u00e1tio do Castelo, um jovem cigano agonizante, os criados correram de um lado para outro procurando socorre-lo, quando um grito agudo nos fez virar, era Andaluza que nos dava prova de seu imortal apego aos seus antecedentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u00c9 verdade, a bela cigana curvou-se com carinho e procurava reanimar aquele corpo quase sem vida, enquanto, ao mesmo tempo, dizia: Oh, meu pobre irm\u00e3o Nardo, Nardo, como chegastes at\u00e9 aqui? O que foi feito do nosso querido povo? Ao balbuciar o pobre rapaz disse: Venho falar contigo, venho de Braz&#8230; Braz o nosso Rei, pede para voc\u00ea dar uma chegadinha at\u00e9 l\u00e1, porque maus agouros pairam sobre tua cabe\u00e7a, n\u00e3o tarde Luza. A cigana meio confusa pediu que os criados sa\u00edssem dali e quando fui retirar-me ela me deteve dizendo que eu era a sua segunda pessoa. Cuidamos do cigano fazendo com que ele logo se restabelecesse. E foi com grande surpresa e desespero que os vi contratando o momento daquela tr\u00e1gica fuga.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Oh! Meu Deus! Como sofri quando a cigana com os seus olhos tristes me disse: Antera querida, tenho que partir para ouvir os conselhos dos Profetas e suas santas ordens, serei amaldi\u00e7oada se n\u00e3o for eu mesma ao grande batismo, vede querida, n\u00e3o tenho a prote\u00e7\u00e3o dos Katshimoshy. E mostrando o grande escudo no peito do jovem cigano, repetia: Eu n\u00e3o tenho como n\u00e3o terei tamb\u00e9m a prote\u00e7\u00e3o de Cala\u00e7a e do meu Rei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o, n\u00e3o! Tive for\u00e7as para lhe dizer: Minha senhora querida, esta j\u00f3ia \u00e9 a supersti\u00e7\u00e3o dos z\u00edngaros, j\u00e1 n\u00e3o lhe fica bem usa-la; por conseguinte sei que \u00e9s bastante prudente para n\u00e3o fazer semelhante viagem, deixando o seu apaixonado esposo; que tanto sacrificou \u00e0 sociedade de seu condado. E em que posi\u00e7\u00e3o a senhora me deixar\u00e1 com meu pobre patr\u00e3o. Antera, disse-me ela, jamais praticarei atos que possam vir a desabonar este condado, como tamb\u00e9m n\u00e3o deixarei em hip\u00f3tese alguma de atender ao chamado de meu Rei. Se Rafael me ama compreender\u00e1 a minha tradicional alma cigana e tu Antera, (completou) dar\u00e1s as desculpas que te convier.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">E com a rapidez de um sonho, dirigiu-se para a estrebaria com o jovem cigano e em seguida partiram dali.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Fiquei ali parada, n\u00e3o sei por quanto tempo pensando como ia se portar o meu pobre patr\u00e3o. Sim, foi tudo muito r\u00e1pido. E qual n\u00e3o foi minha surpresa, pois logo que me refiz, fui dar a triste not\u00edcia ao Conde, meu patr\u00e3o, e ele com um sorriso triste me disse:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Querida Antera, esta tua not\u00edcia n\u00e3o me surpreende, estamos em um mundo de prova\u00e7\u00f5es para uma evolu\u00e7\u00e3o, devemos dar gra\u00e7as a Deus por Ele nos corrigir sempre que erramos, e eu sinto que fui corrigido, n\u00e3o respeitando as normas dos ciganos, a fiz minha esposa, e sei que naturalmente lhe foi doloroso desrespeitar as leis de sua cren\u00e7a cigana, pois afinal de contas foram celebradas suas bodas com Augusto, entre os encantos de suas Pitonisas e de fan\u00e1ticos rituais. No entanto a pobrezinha n\u00e3o se rebelou e, muito ao contr\u00e1rio, vem nos cativando com sua Humildade e Amor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">E fazendo mais esta observa\u00e7\u00e3o, o Conde Rafael continuou: Vede Antera! Nem mesmo o Bras\u00e3o ela desejou toca-lo. Senti um calafrio percorrendo meu corpo, o Bras\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Onde estar\u00e1? Eu n\u00e3o o tenho visto no respectivo lugar&#8230; meu Deus! O Conde notando minha palidez disse:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Antera, o que tens? Escondes de mim alguma coisa a mais?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o, lhe disse. \u00c9 que estou cansada, devo descansar um pouco, se me permite.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Vai minha boa Antera, seria ego\u00edsmo meu segura-la agora. E dizendo mais, arrematou: Al\u00e9m do mais e como j\u00e1 disse, n\u00e3o mere\u00e7o ser consolado se estou a pagar um delito que provoquei, talvez sem raciocinar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Passaram-se mais ou menos quinze dias que a cigana havia partido. Tudo era tristeza, repartia bem o meu tempo dispon\u00edvel procurando distrair meu pobre patr\u00e3o, que sem reclamar sofria sua grande dor. Todas as tentativas que faz\u00edamos nas pegadas dos ciganos foram totalmente perdidas; ningu\u00e9m dava not\u00edcias, ningu\u00e9m sabia seu paradeiro. Cada dia mais tristes fic\u00e1vamos, j\u00e1 sem esperan\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Da sacada do Castelo onde est\u00e1vamos, avistei o pequeno Yatan, que montado a galope de um fogoso cavalo vinha em nossa dire\u00e7\u00e3o. O Conde Rafael levantou-se e juntos precipitamos, prevendo a grande desgra\u00e7a que os nossos olhos presenciaram: ap\u00f3s segundos, sem nos dar tempo de nada, o cavalo perdera o equil\u00edbrio jogando o pequeno ao solo. Desacordado, com uma fratura na cabe\u00e7a, perdendo uma quantidade incalcul\u00e1vel de sangue.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Peguei sem perca de tempo o pequeno nos bra\u00e7os e pedi que providenciassem um m\u00e9dico. Fazia compaix\u00e3o o estado de abatimento do Conde, n\u00e3o se retirava da cabeceira do pequeno enfermo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Ap\u00f3s mais ou menos tr\u00eas dias, o menino come\u00e7ou a falar chamando pela sua mam\u00e3e, \u00e0s vezes com palavras desconexas, nos preocupava cada vez mais com o seu estado de sa\u00fade. E por mais que procur\u00e1ssemos agrada-lo, mais parecia odiar-nos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">J\u00e1 bem tarde da noite deixei o quarto do enfermo para descansar, e passando no quarto da minha fugitiva patroa, escutei um gemido e qual n\u00e3o foi o meu pavor; fiquei petrificada alguns segundos e como cada vez mais iam aumentando, voltei correndo para junto do meu patr\u00e3o, explicando o que ouvira. Alarmado com isso, disse n\u00e3o ter coragem de ir at\u00e9 l\u00e1 sozinho. Mandou chamar Kaz\u00fa, uma jovem servidora, dizendo que permanecesse no quarto junto ao pequeno enfermo, sem descuidar um s\u00f3 minuto sua vigil\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Kaz\u00fa era uma criatura temperamental que vivia a salientar-se por todos os cantos do Castelo, muito pregui\u00e7osa, por\u00e9m, apesar de suas caracter\u00edsticas indesejadas, n\u00e3o hav\u00edamos identificado o roubo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Saindo para vermos os gemidos, qual n\u00e3o foi o nosso espanto. Encontramos a cigana em estado catal\u00e9ptico de um lado e uma linda crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida do outro. N\u00e3o tivemos tempo a perder e esquecendo de tudo providenciamos m\u00e9dico e em seguida uma ama para a pequena prematura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">O dia havia amanhecido quando deixei o meu patr\u00e3o recebendo algumas explica\u00e7\u00f5es da cigana, que com palavras firmes vivia o seu enredo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Querido Rafael, somos descendentes dos n\u00f4mades, e sob o poder do Esp\u00edrito Imortal dos Katshimoshy, juramos nas fogueiras colocar as nossas oferendas, por conseguinte, qualquer que tenha coincidentemente incorporado neste Ritual Cabal\u00edstico. Este juramento \u00e9 considerado o elo de uma Corrente Salvadora, Poderosa e Imortal. Compreenda Rafael, eu sou um elo desta Corrente, jamais te farei infeliz; amo-te e n\u00e3o desejo viver longe deste Castelo, cumpri a minha penosa miss\u00e3o. Perdoa-me, por piedade. A minha pobre m\u00e3ezinha desejava me ver.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Por qu\u00ea n\u00e3o me pediu para que eu a levasse? Disse o Conde.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Ah! Continuou a cigana. Para n\u00e3o te deixar em dificuldades. O povo de Braz estava prestes a vir arrancar-me daqui. N\u00e3o sabeis a intriga que fez Augusto, procurando com isto desculpar-se da grande desgra\u00e7a da sua culpa, foi por isto que tive de correr para impedir outra armadilha do infeliz Augusto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Ah! Se soubesses como te amo e como me foi doloroso este meu comportamento. Encontrei a minha pobre m\u00e3e muito mal. Etelvina, a Profetisa oficial da tribo, profetizou os mais terr\u00edveis acontecimentos e tudo sobre mim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Disse que tu meu querido Rafael, com toda tua indulg\u00eancia para comigo, chegar\u00e1 o dia de acusar-me da mais vil cal\u00fania e como ladra. Atirar-me-ia nas ruas exigindo que eu volte \u00e0 tribo onde eu morrerei de saudades tuas. E logo ap\u00f3s tudo isto, desatou em solu\u00e7os de quem realmente est\u00e1 amargurada por uma louca e desabalada desilus\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Oh! Minha querida, como pude duvidar de ti? Como se atreve esta Profetisa e que mal a fiz para ver-me t\u00e3o vil, t\u00e3o avarento a ponto de caluniar-te como ladra do teu pr\u00f3prio tesouro? Sim minha querida, \u00e9s minha verdadeira herdeira de tudo quanto possuo. (Depois sorrindo para a rec\u00e9m-nascida) Agora ser\u00e1 repartido com minha segunda s\u00f3cia, n\u00e3o \u00e9 mesmo querida? N\u00e3o pense mais nessas tolices!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Oh! Disse a cigana, se me fosse poss\u00edvel esquecer que nada sinto, que os nossos Esp\u00edritos Imortais comprometeram-se no passado e, um grande d\u00e9bito eu terei que pagar-te antes de fugir daqui novamente, para novos mundos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Feito, e eu cobrar-te-ei em dobro, como tu, sinto que me deves um profundo amor e exijo ser pago! Quanto a tua partida, aconselho levar-me contigo pelas tuas concep\u00e7\u00f5es ou forma\u00e7\u00f5es religiosas. Vejo que tens mais facilidades com estes transportes. Sempre gracejando, o Conde arrematou: Nunca vi tanta coragem, quando estiveres melhor, desejo que me ensines esta doce filosofia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Se Olga, minha usur\u00e1ria irm\u00e3 souber de tais profecias, ir\u00e1 imediatamente aos p\u00e9s daquela cigana profetisa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Oh! (gritou a cigana, chegando a assustar o Conde) Olga? Olga? Etelvina falou-me de Olga.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Sim! (respondeu ainda o Conde) Olga, minha irm\u00e3! Pois minha m\u00e3e encontrou-a \u00e0 beira de um lago, era filha de um zelador da pequena mans\u00e3o cujos donos morreram, uma fatalidade do seu destino, foi quando meu irm\u00e3ozinho Hidelbrando foi salvo por ela naquele lago. Minha m\u00e3e a fez nossa irm\u00e3. Olga que sempre fora insatisfeita, apaixonou-se por mim a ponto de julgarmos que a morte da mam\u00e3e foi provocada por este grande desgosto. Olga fez todos sofrerem quando comprometi-me com Matusca, que morreu h\u00e1 dois anos, deixando-me vi\u00favo e nem sequer um filho para que eu tivesse recorda\u00e7\u00e3o do nosso casamento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Dizem as pessoas supersticiosas que Olga se influenciava com feiticeiros e pitonisas para destruir a mim e Matusca. N\u00e3o acredito que os feiticeiros tivessem tanta influ\u00eancia nos destinos ou des\u00edgnios de Deus. V\u00ea, minha querida, se assim eu acreditasse em tamanho desafio, mandaria juntar todos os feiticeiros e pitonisas em uma tenda, fazendo o mais poderoso mecanismo e depois ordenaria aos mesmos fazer com que o cora\u00e7\u00e3o da minha linda esposa cigana fosse puro de qualquer supersti\u00e7\u00e3o. A respeito principalmente do Esp\u00edrito Imortal. Disse ela: Vejo meu marido, que te falta compreens\u00e3o dos fatos que v\u00eam ocorrendo dia a dia, por\u00e9m j\u00e1 me pedistes aulas de filosofia, n\u00e3o tardarei em dar o diploma ao meu Conde marido. Espero que n\u00e3o seja diploma de feiticeiro. Sim, tamb\u00e9m tenho tarimba (acrescentou, rindo os dois).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Vendo a compreens\u00e3o daqueles dois, dei gra\u00e7as a Deus e fui dormir um pouco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Apesar de preocupada com o pequeno Yatan, ao passar dos dias tudo percorreu na gra\u00e7a de Deus, at\u00e9 que chegou o dia da festa de S\u00e3o Petersburgo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Come\u00e7aram os grandes preparativos, o Imperador mandou que abrisse os port\u00f5es para os estrangeiros e n\u00f4mades, enfim, s\u00f3 se ouvia o tinir de guizos e passos de animais, nas ruas fogueiras enormes, dan\u00e7as e algazarras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Para mim e meu patr\u00e3o Rafael n\u00e3o havia alegria, ao contr\u00e1rio, nos sent\u00edamos em perigo porque os ciganos com seus enormes cavalos enfeitados de fita pareciam desafiar at\u00e9 mesmo a pr\u00f3pria natureza. E para o nosso maior receio, os ciganos que mais real\u00e7avam eram da tribo de Andaluza, pois em seus cavalos fogosos, mais pareciam pr\u00edncipes encantados das antigas lendas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Foi at\u00e9 que o nosso mau press\u00e1gio confirmou-se.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Est\u00e1vamos tomando ch\u00e1, mais ou menos \u00e0s duas horas da tarde, quando Kaz\u00fa veio anunciar a chegada de duas formosas ciganas, que depois vim a saber serem Etelvina e Zaida. Etelvina a Profetisa da Tribo dos Katshimoshy, verdadeiramente simp\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Andaluza mandou que entrassem e sem nenhum embara\u00e7o, apresentou-nos o Conde Rafael e eu. Fizemos tudo para nos tornarmos os melhores hospitaleiros. Zaida sempre abra\u00e7ada a Andaluza, disse que naquela noite iria cantar para o Imperador no p\u00e1tio do Grande Pal\u00e1cio e assim dizendo, saiu cantando e dan\u00e7ando com todos os encantos dos seus dezoito anos. Andaluza que n\u00e3o resistiu a tenta\u00e7\u00e3o daquela dan\u00e7a, acompanhou-a e no amplo sal\u00e3o formaram a mais linda dupla.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Rafael ficou t\u00e3o emocionado que franqueou o Castelo n\u00e3o s\u00f3 \u00e0quelas ciganas, como tamb\u00e9m a outros que estivessem com elas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Tudo correu bem, at\u00e9 que \u00e0 noite voltassem da grande festa. S\u00f3 eu havia ficado tomando conta das crian\u00e7as, pois entretida com a pequena herdeira n\u00e3o reparei que o pequeno Yatan havia desaparecido.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Chamamos a criadagem e um jovem por nome Tucem nos disse que havia visto o pequeno Yatan, em companhia de Kaz\u00fa, que seduzida por um jovem z\u00edngaro, haviam dito que s\u00f3 voltariam no outro dia, pois pretendiam passar a noite com o seu amor cigano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">O Conde Rafael, que estava ainda cheio de euforia da magn\u00edfica noitada com as ciganas na casa do Imperador, pouca import\u00e2ncia deu ao desaparecimento do menino. E logo depois reunindo no sal\u00e3o as convidadas, pediu-me que fosse at\u00e9 o cofre e trouxesse o Bras\u00e3o, pois desejava mostrar \u00e0s ciganas a rica j\u00f3ia que sua querida esposa havia rejeitado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Oh! Meu Deus! Que horror, lembro-me como se fosse hoje, quando abri o cofre o maldito Bras\u00e3o n\u00e3o estava.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Foi um verdadeiro alarme, os criados garantiram n\u00e3o ter entrado ningu\u00e9m no Castelo, e todos insinuavam ser Kaz\u00fa, pois a viram fugir com embrulhos grandes nos bra\u00e7os.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">O Conde Rafael terrivelmente agitado gritava, dando ordens que trouxessem Kaz\u00fa de qualquer forma ao Castelo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">A pobre Andaluza abatida, pobrezinha, levantava-se algumas vezes e falava ao seu esposo palavras de conforma\u00e7\u00e3o. Os Cavaleiros vinham e voltavam sem qualquer not\u00edcia da servidora Kaz\u00fa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Com muito carinho, Andaluza conseguiu que o seu esposo se recolhesse aos seus aposentos. O dia j\u00e1 amanhecia, as tr\u00eas ciganas pareciam mais tristes, como se previssem a total desgra\u00e7a profetizada para n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Etelvina, v\u00ea onde se encontra esta rica j\u00f3ia, disse Zaida. Etelvina sacudiu todo seu corpo, proferiu coisas desconexas para mim, depois, depois como se passasse por um processo habitual, come\u00e7ou a dizer:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Luza querida, as for\u00e7as est\u00e3o afastando-se de ti. Yatan, o teu filho, neste instante coloca sobre Augusto esta j\u00f3ia que \u00e9 o Bras\u00e3o, instrumento de terr\u00edveis desgra\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Meu filho! Meu filhinho, de apenas cinco anos de idade?&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Sim, continuou a Profetisa. Ele, Augusto, vem sempre ensinando o filho para este nefasto roubo. A cigana continuava suas tristes revela\u00e7\u00f5es enquanto n\u00f3s outras gem\u00edamos de dor. Depois com o dedo indicador apontando para mim, disse: Querida Antera, eu sou Cala\u00e7a, sou o Esp\u00edrito que perdeu o seu corpo pelos lobos famintos. Amo-te Antera, por ver-te t\u00e3o dedicada \u00e0 minha desventurada Luza, n\u00e3o me temas, porque dentro de pouco estar\u00e1s comigo. A desventura paira sobre este Castelo, a Justi\u00e7a e o Poder de Deus ter\u00e1 muito em breve sua for\u00e7a para a evolu\u00e7\u00e3o e melhor libertar o Esp\u00edrito de Luza. Luza, antiga Czarina, ter\u00e1 que carregar a Cruz Simb\u00f3lica do Cristo, para safar-se do ego\u00edsmo, poder este do sanguin\u00e1rio Imp\u00e9rio Romano&#8230; Adeus&#8230; N\u00e3o me queiram mal&#8230; Voltarei muito em breve. Depois como se estivesse cumprindo uma s\u00e9ria miss\u00e3o tomou ent\u00e3o sua posi\u00e7\u00e3o antiga.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Corri para a copa e trouxe alguma coisa quente, que n\u00e3o me lembro mais. Os criados haviam espalhado por toda parte a not\u00edcia do desaparecimento do Bras\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">A Condessa Olga logo que soube de tal not\u00edcia veio correndo ao Castelo. A sua visita indesejada nos fazia mal, principalmente no estado de ang\u00fastia que nos encontr\u00e1vamos. As duas ciganas solid\u00e1rias a Andaluza, n\u00e3o quiseram mais saber das festas e nem tampouco afastaram-se do Castelo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">A Condessa Olga, depois dos cumprimentos habituais, chamou Rafael para um canto da sala e come\u00e7ou a falar:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Oh meu querido mano&#8230; Lastimo ver-te em t\u00e3o incorrig\u00edvel situa\u00e7\u00e3o, de se casar com uma n\u00f4made est\u00e1 certo&#8230; Enfim, \u00e9 o teu impensado amor. Mas, ter em casa toda tribo&#8230; Ah!&#8230; Jamais aceitaria, isto \u00e9 indigno de ti&#8230; Este povo est\u00e1 te hipnotizando, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! E assim dizia enxugando as l\u00e1grimas, como se realmente estivesse desesperada, e eu que bem conhecia a Condessa arremessei-me para ela e disse:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Cara Condessa, n\u00e3o admito por hip\u00f3tese nenhuma que a senhora saia do seu Castelo para vir aqui nos perturbar, o Bras\u00e3o n\u00e3o te pertence mais e nem tampouco ao Conde Rafael. Ele casou-se com Andaluza e neste Castelo quem manda \u00e9 ela, o Bras\u00e3o pertence a ela por tradi\u00e7\u00e3o e para que ele nunca fosse parar nas tuas m\u00e3os imundas, criminosas, eu roubei e mandei levar para a Tribo dos Katshimoshy. (E como se eu conhecesse os processos de Etelvina, continuava) Criminosa, mataste a duas santas criaturas. Mataste com aquela erva daninha a pobre e indefesa Matusca, e com a mesma assassinaste tamb\u00e9m a Baronesa Yuca Santa, que te deu o Condado e te livrou da fome e da desgra\u00e7a e, por \u00faltimo com medo do teu c\u00famplice mandaste surrar e expulsar da cidade, por\u00e9m Deus n\u00e3o esconde por muito tempo as nossas perversidades. Sei onde, todo aleijado, resiste ainda o infeliz Yochim, arrependido dos seus crimes trabalha hoje pela sobreviv\u00eancia. No entanto a senhora armou-se de suas for\u00e7as sat\u00e2nicas, e veio para destruir a nossa Cigana Condessa. N\u00e3o! Esta a senhora n\u00e3o destruir\u00e1!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Aquela crian\u00e7a que ali est\u00e1 \u00e9 a herdeira do Conde Rafael, tua v\u00edtima. Aquela crian\u00e7a \u00e9 a luz que ilumina este Castelo. Somos todos felizes, n\u00e3o precisamos da senhora e tampouco dos seus conselhos. E assim completei e quando dei conta de tudo, vi que todos estavam t\u00e3o surpresos que n\u00e3o tinham pernas para sa\u00edrem dos seus lugares.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Antera, disse o Conde Rafael, Antera, como se atreve a tanto; testemunhas o que acabas de dizer?&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Sim, meu patr\u00e3o, perdoe-me&#8230; N\u00e3o lhe disse h\u00e1 mais tempo pois quando fiquei sabendo, esta infeliz j\u00e1 havia matado minhas patroinhas queridas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Meu Deus! N\u00e3o sabes que o Braz\u00e3o pertence \u00e0 Andaluza, como se explica terr\u00edvel injusti\u00e7a? Kaz\u00fa est\u00e1 amarrada na pra\u00e7a de divers\u00f5es para ser executada \u00e0 noite, para pagar o crime que n\u00e3o cometeu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Andaluza resmungou em pranto: Meu Deus, a maldi\u00e7\u00e3o dos Esp\u00edritos ronda este Castelo!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Etelvina, Etelvina, que farei para reparar tudo isto? Enlouquecerei se n\u00e3o tiveres piedade de mim&#8230; N\u00e3o minha querida Andaluza, nada tens a temer&#8230; Disse o Conde procurando acalmar sua esposa. Rafael! Se souberes a verdade de tudo isto, odiar-me-ia, \u00e9 tudo t\u00e3o monstruoso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Como?&#8230; (gritou por fim Rafael sem entender) Como?&#8230; Por todos os diabos, estar\u00e1s aliada com Antera, tramando infelicidades&#8230; Esqueces que tu e Antera s\u00e3o as \u00fanicas criaturas que amo! Oh! Minha Andaluza querida, vamos juntos perdoar o nefando erro de Antera, pelo amor do Grande Deus se isente deste roubo, n\u00e3o \u00e9 digno de uma Condessa (at\u00e9 esse momento o Conde Rafael nada sabia sobre a atitude de Yatan).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Andaluza foi ao encontro de Antera e disse em solu\u00e7os:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Oh minha boa Antera, por piedade tenhas pena de mim, porque condenastes a ti mesma?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Fiz pelo meu patr\u00e3ozinho, sei que se sa\u00edres deste Castelo ele morrer\u00e1 e tamb\u00e9m eu. Odeio a Condessa Olga! Tudo era t\u00e3o confuso que ningu\u00e9m entendia nada a n\u00e3o ser eu e Etelvina com a sua Clarivid\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">A Condessa Olga espraguejando deixou o Castelo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Os ciganos tamb\u00e9m se foram. Agora restava-nos os tr\u00eas oprimidos pelo terr\u00edvel acontecimento; o menino n\u00e3o apareceu. Agora tudo era tristeza, Kaz\u00fa fora queimada como ladra, comecei ent\u00e3o a sentir certas anormalidades, pensei queixar-me para ser vista por um m\u00e9dico, mas qual nada, os meus sintomas anormais tomavam-me com mais freq\u00fc\u00eancia, a ponto de eu n\u00e3o mais poder falar. Uma espessa nebulosa tomava totalmente minha vis\u00e3o e em continuidade percebi uma sensa\u00e7\u00e3o de leveza, ouvia como um sussurro palavras desconexas, como sendo: Oh! Pobre Antera, est\u00e1 morta! Ouvi tamb\u00e9m a voz querida do meu patr\u00e3o: Morreu, minha Antera, a querida criatura que tanto me compreendia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">At\u00e9 que fui levada dali pelas for\u00e7as magn\u00e9ticas do astral. Ap\u00f3s submetida aos processos espirituais que n\u00e3o sei por quanto tempo, voltei a minha visual atual; sentia agora uma louca e inexplic\u00e1vel saudade da vida cotidiana da Terra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Germano, o meu luminoso Mentor, explicava minha futura miss\u00e3o na Terra, por\u00e9m o meu Esp\u00edrito incompreendido e culpado n\u00e3o quis esperar pela benevol\u00eancia das Leis, e com a facilidade do meu livre arb\u00edtrio, desprezei as cadeias benditas e voltei ao atraso nos carreiros terrenos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Era uma bela madrugada quando o meu Mentor trouxe-me novamente \u00e0 Terra. Antera! Disse-me: Voltar\u00e1s aos labores terrenos, ter\u00e1s oportunidade novamente junto aos seus familiares. Cuidado com o teu Padr\u00e3o Vibrat\u00f3rio e com os teus julgamentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">O sol come\u00e7ava a aparecer aos primeiros raios, quando avistei os port\u00f5es do Castelo. E com tristeza foi que descobri a fraqueza de meu Esp\u00edrito, reparei que n\u00e3o estava preparada, pois voltavam todos os instintos de vingar-me da Condessa Olga. E por mais que eu lutasse contra os maus impulsos, nada conseguia sen\u00e3o aumenta-los.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Germano, o meu bom guia, deixou-me \u00e0 merc\u00ea de minha consci\u00eancia. Estava ali o suntuoso Castelo do meu querido patr\u00e3o. Tive ent\u00e3o a mais triste surpresa: O Conde havia morrido, a cigana sua esposa estava desaparecida, e agora a Condessa Olga era a dona de tudo. Sim, at\u00e9 que Hildebrando chegasse de outros pa\u00edses, onde vivia levando sua vida bo\u00eamia, pois sendo o \u00fanico irm\u00e3o do Conde Rafael, seria ele o dono de tudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Estava eu agora naquele casar\u00e3o sem nada o que fazer, apenas me acrisolando na aura da Condessa Olga&#8230; Quando j\u00e1 estava me preparando para deixar o Castelo, senti que as coisas estavam mudando de sintonia, voltei ent\u00e3o e comecei a sentir a presen\u00e7a da cigana e me desesperei, comecei a invocar o meu Mentor, mas ele n\u00e3o aparecia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Compreendi que o meu \u00f3dio pela Condessa Olga s\u00f3 fizera me embrutecer. Foi ent\u00e3o que eu vi Andaluza caminhando sem destino. Chamei-a e ela ouviu, e que satisfa\u00e7\u00e3o! Andaluza disse tristonha:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Querida Antera, n\u00e3o sabes a desgra\u00e7a que nos causou o infeliz Bras\u00e3o, tu minha boa Antera, morreu deixando-me no mais terr\u00edvel desespero, sabias que Yatan meu filho havia roubado-\u00ba Morreu a infeliz Kaz\u00fa e ele, Yatan, desapareceu. Foi ent\u00e3o que desesperada corri para o meu bando a ver o que me dizia os Profetas de Braz, ent\u00e3o Rafael sabendo disso saiu desesperado com os seus guardas e l\u00e1 me encontraram. Mas, eu n\u00e3o quis mais voltar, a vergonha era demais; na verdade eu queria viver ao lado do meu esposo, mas, era m\u00e3e de um ladr\u00e3o que podia ser sacrificado na fogueira. Oh Antera, foi horr\u00edvel! Rafael saiu desesperado dali, sem me dar tempo de explicar. Depois ficamos sabendo que ele morrera, mas n\u00e3o foi encontrado o corpo dele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; E tu? Perguntei. Ela baixou os olhos e depois continuou: Fiquei vivendo com os meus, temendo sempre Augusto, n\u00e3o dan\u00e7ava e n\u00e3o cantava. Certo dia estava \u00e0 margem do rio onde Rafael foi visto pela \u00faltima vez, quando um bra\u00e7o forte me puxou, me dando uma forte pancada na cabe\u00e7a e trouxeram-me at\u00e9 aqui, onde estou prisioneira. Disse-me a Condessa Olga que o meu povo me considera morta segundo as minhas vestes encontradas&#8230; tudo foi t\u00e3o bem feito!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; E as tuas Profetisas, por que n\u00e3o contam?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Sim! Elas j\u00e1 disseram que eu vivo, mas n\u00e3o sabem onde. E eu estou ali, naquele arm\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">&#8211; Oh! Gritei, compreendo, o teu corpo dorme, meu Deus! O que poderei fazer por ti? Minha querida Luza. Enquanto me lamentava ouvi uma forte pancada, era Greg\u00f3ria, a Governanta, que esmurrava o arm\u00e1rio para acordar Luza a cigana, que tamb\u00e9m em um segundo desapareceu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">E quando a porta abriu-se, foi terr\u00edvel, aquele corpo esbelto agora era o s\u00edmbolo da dor, p\u00e1lida e amedrontada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">E no auge do meu desespero, veio ent\u00e3o Germano, que logo foi me explicar: Antera, se desejas fazer alguma coisa pela tua cigana, afasta-te dela. Estes ciganos est\u00e3o em prova para a nova evolu\u00e7\u00e3o. Vieram do Imp\u00e9rio dos C\u00e9sares de Roma. E depois acrescentou: Tamb\u00e9m tu e todos os descendentes deste Castelo&#8230; Porque fugistes dos ensinamentos? Porque n\u00e3o te interessavas em aprender as Leis? Nada nos foi poss\u00edvel fazer pela sua teimosia. Agora est\u00e1s destinada a passar o que der e vier; \u00e9 verdade que terias de voltar e cumprir o teu carma, por\u00e9m nunca assim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Salve Deus! Que esses ensinamentos sejam promissores!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Com carinho,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">A M\u00e3e em Cristo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Tia Neiva.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span class=\"goog-text-highlight\" style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\">PEQUENAS HIST\u00d3RIAS SOB OS OLHOS DA CLARIVIDENTE NEIVA<br \/>\n<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 14pt;\">10 &#8211; <\/span>A Volta dos Ciganos<br \/>\n<\/span><\/h4>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\">Templos do Amanhecer<\/span><\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\">CASTELO DOS DEVAS &#8211; VALE DO AMANHECER<\/span><\/h4>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-444\" src=\"http:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/cropped-fotoperfil201409010910.png\" alt=\"cropped-fotoperfil201409010910.png\" width=\"259\" height=\"226\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Surgiam os primeiros raios de sol, prometendo assim uma primavera festiva naquele pequeno povoado, prov\u00edncia do Conde Rafael, jovem vi\u00favo e herdeiro que gozava de todos os requintes da corte russa. Tudo prometia \u00e0quele belo dia de sol, todos queriam ser acariciados por ele. Foi ent\u00e3o que despertou-me tamb\u00e9m aquela alegria. Oh meu Deus! 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