{"id":816,"date":"2016-08-07T09:30:52","date_gmt":"2016-08-07T12:30:52","guid":{"rendered":"http:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/?p=816"},"modified":"2016-08-04T11:52:06","modified_gmt":"2016-08-04T14:52:06","slug":"o-velho-coronel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/2016\/08\/07\/o-velho-coronel\/","title":{"rendered":"O Velho Coronel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-811 alignright\" src=\"http:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/5-O-Velho-Coronel-p.jpg\" alt=\"5 - O Velho Coronel-p\" width=\"350\" height=\"492\" srcset=\"https:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/5-O-Velho-Coronel-p.jpg 350w, https:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/5-O-Velho-Coronel-p-213x300.jpg 213w, https:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/5-O-Velho-Coronel-p-300x422.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Pequenas viagens!&#8230; O sol j\u00e1 devia estar brilhando na Terra, pois no Plano onde me encontrava, lindos filetes dourados, sem brilho, como que aveludados se espalhavam por sobre aquele p\u00e2ntano distante, l\u00e1 embaixo no Vale Negro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Eu, sentada com Pai Joaquim das Almas de Enoque, sentia o esplendor de tudo que v\u00edamos. Divisamos ao longe um homem de branco, que caminhava de um lado para outro, sem sossego.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Quem poderia ser? \u2013 perguntei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Aquele homem \u00e9 Eug\u00eanio, um velho Coronel dos bons tempos \u2013 respondeu Pai Joaquim das Almas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">O homem se aproximou, vindo ao nosso encontro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Salve Deus! \u2013 Eu disse.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Eu me chamo Fraz\u00e3o \u2013 falou o homem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Fraz\u00e3o? U\u00e9, Pai Joaquim, o senhor disse que ele era Eug\u00eanio&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Eug\u00eanio Fraz\u00e3o. \u00c9 porque minha vid\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 boa, fia&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Rimos muito, descontra\u00eddos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 \u00c9 viva? \u2013 Perguntou Eug\u00eanio Fraz\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Somos todos vivos \u2013 disse Pai Joaquim nos descontraindo \u2013 Neiva tem grandes Mediunidades e est\u00e1 aqui sonhando conosco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Fraz\u00e3o se juntou a n\u00f3s e come\u00e7ou logo a contar sua vida:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Sou um pobre homem louco&#8230; Sou rec\u00e9m chegado. Tenho apenas nove anos&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Vivia naquele p\u00e2ntano, sem destino, pedindo a Deus que me deixasse sucumbir naquele lama\u00e7al. \u2013 E foi dizendo sem que ningu\u00e9m perguntasse: \u2013 Fui bem casado, tive dois filhos: um homem e uma mulher. Ergui uma pequena Vila com amor e harmonia que se transformou em uma linda cidadezinha. Mal sabia que Deus havia me proporcionado tudo para que eu ajudasse aquela gente, naquele tempo dif\u00edcil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Todos me respeitavam, por meu amor e dedica\u00e7\u00e3o ao povo e \u00e0quele lugar. Tudo teria continuado na maior felicidade se eu n\u00e3o tivesse dado ouvidos a um tal Secret\u00e1rio, esp\u00e9cie de ordenan\u00e7a, homem muito ligado ao Padre daquela Par\u00f3quia. Ele foi me avisar da chegada de um Curandeiro que come\u00e7ara a fazer trabalhos nas redondezas. Sem pensar, eu que era homem ponderado, mandei o Secret\u00e1rio ir at\u00e9 ele e ordenar que cessasse imediatamente aquelas atividades. E n\u00e3o cuidei mais do assunto, pois estava com viagem marcada para a Capital, onde ia fazer presta\u00e7\u00e3o de contas, devendo me demorar por uns sessenta dias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Foi mesmo&#8230; Ainda me lembro bem dessa viagem&#8230; Sem ter muita consci\u00eancia, mas sentindo que o destino, o meu pobre destino, havia me reencontrado, cheguei \u00e0quela cidade grande. Comecei minhas tarefas nos diversos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, e um dia saindo de uma das salas daquelas reparti\u00e7\u00f5es, esbarrei numa mo\u00e7a que vinha pelo corredor e derrubei sua pasta. Abaixei-me r\u00e1pido murmurando desculpas e apanhei a pasta. E quando nos olhamos, nos reconhecemos: era Geruza, uma antiga namorada com quem eu n\u00e3o havia podido casar, porque seus pais n\u00e3o confiavam em mim. Gente importante, para romper o romance haviam partido para a Fran\u00e7a, levando a filha obediente da qual nunca mais eu soubera qualquer not\u00edcia. A \u00fanica coisa que sabia, era que Geruza nunca havia se casado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Na for\u00e7a que age sobre duas pessoas que se amam, nos abra\u00e7amos. E quando acordamos da surpresa est\u00e1vamos abra\u00e7ados. Ficamos sem gra\u00e7a sentindo o peso de nossas responsabilidades, t\u00e3o importantes nas nossas idades. N\u00e3o me recordo bem do que falamos, mas sei que com algum embara\u00e7o mais uma vez sentimos a crueldade da separa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o combinamos um novo encontro, n\u00e3o nos demos endere\u00e7os, enfim, sab\u00edamos que n\u00e3o t\u00ednhamos condi\u00e7\u00f5es para nos reencontrarmos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Retornei \u00e0 minha Vila, mas meu pensamento estava distante. A esta\u00e7\u00e3o movimentada, baldea\u00e7\u00f5es em charretes para outra esta\u00e7\u00e3o, o trenzinho de madeira enfuma\u00e7ado, soltando fa\u00edscas que amea\u00e7avam nossas roupas, nada disso conseguia minha aten\u00e7\u00e3o, voltada totalmente para Geruza. Agia como um aut\u00f4mato e minha mente n\u00e3o se ligava na viagem e, nem na minha fam\u00edlia que ia rever.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Meu Deus! O que fora fazer naquela reparti\u00e7\u00e3o? Porque o destino armara aquele encontro. E o pensamento em Geruza me envolvia, tomava conta de mim. Lembrava-me daqueles dias felizes, dos passeios, das cachoeiras. Aquela criaturinha meiga e amorosa que me completava e enchia minha vida de um colorido alegre e, tamb\u00e9m lembrei daqueles olhos cheios de l\u00e1grimas, o desespero estampado no lindo rosto, quando me disse que os pais iriam partir e ela teria que acompanha-los. N\u00e3o tinha coragem para desobedecer&#8230; E partiu um dia deixando aquela triste carta de adeus. E sobreveio uma revolta em meu \u00edntimo, por que me martirizar? Ora, se ela n\u00e3o quis e pronto! Cada um seguiu sua vida&#8230; Mas eram apenas palavras para me consolar. Quando dei conta de mim as l\u00e1grimas corriam pelo meu rosto e o trenzinho estava chegando ao meu Vilarejo. Resolvi que era meu lugar e que tudo o mais teria de ficar para tr\u00e1s.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Oh, Tia Neiva! Destino cruel! Em nenhum momento senti enfraquecer o amor que dedicava \u00e0 minha velha esposa. Comecei a pensar nas diversas fam\u00edlias, numerosas pessoas que eram felizes naquele lugar, gra\u00e7as ao meu trabalho para desenvolve-lo. Muitas culturas, cria\u00e7\u00f5es de grande futuro, todo aquele gado, as grandes fazendas, tudo fruto da minha dire\u00e7\u00e3o. Agora sabia de onde tirara a for\u00e7a para tudo aquilo: procurava preencher o vazio que meu cora\u00e7\u00e3o sentia ao ter que me separar de Geruza. O grande amor que sentia por ela, havia na sua falta sido distribu\u00eddo por todo aquele lugar, dedicando-me \u00e0quela miss\u00e3o de corpo e alma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Sim, Coronel \u2013 disse eu \u2013 tenho certeza disso. O amor tira realmente muita terra do cora\u00e7\u00e3o do homem. Digo isso por mim: o grande amor que sinto por meus filhos \u2013 um amor t\u00e3o grande que ultrapassou as barreiras do som e me faz amar todo esse Universo. S\u00f3 o amor edifica! Somente o amor absoluto, como por exemplo: o amor das Almas G\u00eameas que se encontram na Terra, faz uma transforma\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande que permite o nascimento no homem do Amor Incondicional, essa for\u00e7a bendita que ilumina os tr\u00eas reinos de nossa natureza, aumentando o poder de nosso Sol Interior, esse sol que exige nosso bom comportamento, que nos faz sentir em cada ser o novo resplandecer dentro de n\u00f3s.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Ai! \u2013 Disse Pai Joaquim \u2013 aprendeste muita coisa na Terra. Muita coisa mesmo. Neiva como est\u00e1s falando bonito! Ali\u00e1s, o que \u00e9 mais bonito na Terra \u00e9 ouvir o homem em seu sacerd\u00f3cio. Sim, mesmo o homem de poucas letras, explanando o sacerd\u00f3cio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 O senhor quer dizer com esse homem de poucas letras que se trata de um semi\u2013analfabeto? \u2013 Perguntei \u2013 pois saiba querido Pai Joaquim que tenho ricos professores, homens togados, que saem aqui deste esplendor para irem me ensinar l\u00e1 em baixo&#8230; Sou mesmo uma protegida, n\u00e3o sou?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 \u00c9 fia, mas voc\u00ea n\u00e3o pode mentir. Seus olhos est\u00e3o empenhados a Jesus. O que te faz falar bonito \u00e9 o que acabou de dizer: o grande Amor Incondicional. Aqui \u00e9 f\u00e1cil falar, por\u00e9m, na Terra \u00e9 muito dif\u00edcil. O homem carrega s\u00e9rios defeitos atrav\u00e9s dos mil\u00eanios e fica muito dif\u00edcil am\u00e1-lo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 N\u00e3o quero saber dessas cargas \u2013 tornei a dizer. Eu levo o meu quinh\u00e3o e enquanto tenho for\u00e7as levo tamb\u00e9m o dele. Quando vejo ele j\u00e1 est\u00e1 sem defeitos&#8230; Mas, vamos continuar com a sua hist\u00f3ria Coronel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Quando cheguei \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, fiquei surpreso. N\u00e3o havia qualquer um dos meus familiares a me esperar. Apenas estava me aguardando aquele homem em quem eu confiava demais, o meu ordenan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u00c9 Tia, dizem que ningu\u00e9m engana ningu\u00e9m, mas fui enganado por aquele homem a quem tanto me dedicara. Logo ap\u00f3s as sauda\u00e7\u00f5es ele come\u00e7ou a me relatar coisas amargas, dizendo que o tal Curandeiro n\u00e3o me respeitava e continuava fazendo seus feiti\u00e7os. Como eu o proibira de fazer suas sess\u00f5es na casa dele, agora ele ia de casa em casa realizando trabalhos e levando o povo ao fanatismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Era um mau momento o meu. Com a emo\u00e7\u00e3o me dominando, cansado e magoado, aquela not\u00edcia foi a gota d\u2019\u00e1gua que transbordou meu c\u00e1lice. Tomado pela f\u00faria ordenei que prendessem o Curandeiro e que lhe fosse aplicada uma surra na pra\u00e7a p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">O perverso ordenan\u00e7a era o pr\u00f3prio mensageiro do mal. Disse que meus filhos n\u00e3o puderam ir porque meu netinho estava doente, muito mal. Essa not\u00edcia acabou de me derrubar. Meu neto era h\u00e1 muito a devo\u00e7\u00e3o de minha vida. Alucinado, partimos para casa e durante o trajeto o ordenan\u00e7a ficou falando sobre as manobras do Curandeiro para burlar minhas ordens. E, mal chegamos a minha casa o Ordenan\u00e7a correu \u00e0 casa do Curandeiro para prende-lo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Oh, meu Deus! Eu mal sabia que aqueles homens eram meus algozes e que Deus me colocara ali como Mission\u00e1rio, para evoluir aquele povo e suavizar o terr\u00edvel encontro, encontro esse em que o obsessor era meu pr\u00f3prio pai. Pelo meu amor, pela minha compreens\u00e3o, pela ternura que lidava com cada um, eu estava encaminhando aquela gente. N\u00e3o podia saber que Deus havia mandado aquele pobre homem \u2013 o Curandeiro \u2013 para me ajudar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o&#8230; envenenado, preferi dar ouvidos ao Ordenan\u00e7a, que com sua mente deturpada punha em jogo toda aquela gente que eu tanto amava. Oh, meu Deus! Como me livrar do terr\u00edvel acusado?&#8230; Sim, hoje eu digo Tia Neiva, que o Mission\u00e1rio nem por um instante pode ouvir outra voz, que n\u00e3o seja a do seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Sim \u2013 disse eu, Jamais cairei nesta infra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o aceito coment\u00e1rios de ningu\u00e9m: s\u00f3 ou\u00e7o a voz do meu cora\u00e7\u00e3o e s\u00f3 confio na minha Clarivid\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Rimos com amargura, e ele continuou:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Chegamos \u00e0 minha casa, j\u00e1 ouvia os gritos tristes do povo. Certamente estavam lamentando a pris\u00e3o do Curandeiro, pensei. Meu filho e minha nora chorando, vieram ao meu encontro e me imploraram que os deixasse chamar o Curandeiro, pois ele j\u00e1 havia curado muitos casos daquela triste febre que estava matando meu netinho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Sim, como pudera ser t\u00e3o vil? Como pude? Depois de tanta experi\u00eancia, fazer o que fiz? Tanta realiza\u00e7\u00e3o, mas na verdade eu estava desajustado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Aproximei-me de meu netinho, que ardia em febre. L\u00e1 fora a algazarra havia aumentado. Podia ouvir o povo e ningu\u00e9m vinha me dizer o que estava acontecendo. O Ordenan\u00e7a havia sumido. Oh, meu Deus! Por que meu Deus, eu merecia passar toda aquela dor? Ver morrer em meus bra\u00e7os o meu netinho&#8230; Apenas por uma palavra, um gesto eu colocaria a perder o que me era mais caro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Mais uma vez me sentia como que morto por dentro. Aquela algazarra&#8230; se algu\u00e9m viesse pelo menos dizer que n\u00e3o era nada com o Curandeiro e sim algu\u00e9m que chegava e estavam festejando&#8230; Qualquer coisa menos o castigo do Curandeiro, pensava eu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">No quarto ningu\u00e9m falava. Apenas se ouvia a respira\u00e7\u00e3o ofegante da crian\u00e7a moribunda e os solu\u00e7os dos pais e de minha velha esposa. Nesse momento, Tia Neiva, garanto que meu \u00fanico pensamento era salvar meu netinho. Minha nora parecia adivinhar meus pensamentos e levantando-se num repente, com firme determina\u00e7\u00e3o, me disse que ia buscar o velho Curandeiro. N\u00e3o falei nada. Eu pensava que era muito corajoso, mas n\u00e3o passava de um grande covarde.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">S\u00fabito uma for\u00e7a incr\u00edvel, um impulso violento arrancou-me dali, e sa\u00ed correndo sem destino. Corria, corria e de repente senti-me leve, leve como se n\u00e3o tivesse mais o corpo e me transportei, chegando aos lugares onde meu pensamento me levava. Cheguei at\u00e9 aqui e ent\u00e3o soube que morrera na mata.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Essa \u00e9 a minha hist\u00f3ria, Tia. Tudo teria dado certo se n\u00e3o tivesse ouvido as mentiras do meu Ordenan\u00e7a. Triste e infeliz daquele que ouve os fuxiqueiros, os malvados que se armam em julgadores&#8230; Aquele Curandeiro era meu pai, que fora instrumento para testar a minha humildade. E eu que me sentia humilde, que me dizia humilde, porque todos viviam a meus p\u00e9s, \u00e0 primeira prova ca\u00ed como um louco. Oh, meu Deus! N\u00e3o me encontrei com o Curandeiro para lhe pedir perd\u00e3o pelo capricho do meu destino, de minha prova. Ele foi ter com Deus e eu fiquei aqui Tia Neiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Pai Joaquim segurou a m\u00e3o do velho Coronel, e seus olhos brilhavam quando falou:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 N\u00e3o, meu filho. Voc\u00ea se enganou! A algazarra que voc\u00ea ouviu era o povo se distraindo com as gra\u00e7as que uma velha fazia na pra\u00e7a. O seu Ordenan\u00e7a n\u00e3o chegou at\u00e9 a casa do Curandeiro, com medo daquele povo que estava ali. Sua nora conseguiu que o Curandeiro fosse curar seu neto, e todos teriam ficado muito felizes n\u00e3o fosse terem encontrado seu corpo na mata. Voc\u00ea foi um homem muito honesto e, pense sempre nessa li\u00e7\u00e3o, para que n\u00e3o tenha mais que sofrer, para n\u00e3o mais julgar ou corrigir sem amar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">\u2013 Agora sim&#8230; Agora tenho a cabe\u00e7a para trabalhar, para cumprir uma Miss\u00e3o&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Salve Deus! \u2013 Dissemos juntos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Vai, fia \u2013 Disse Pai Joaquim olhando para mim, que os filetes do sol j\u00e1 come\u00e7am a surgir.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">E logo, eu estava em casa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Com carinho,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">A M\u00e3e em Cristo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 12pt;\">Tia Neiva.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span class=\"goog-text-highlight\" style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\">PEQUENAS HIST\u00d3RIAS SOB OS OLHOS DA CLARIVIDENTE NEIVA<br \/>\n<\/span><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\"><span style=\"font-family: book antiqua,palatino,serif; font-size: 14pt;\">05 &#8211; <\/span>O Velho Coronel<br \/>\n<\/span><\/h4>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\">Templos do Amanhecer<\/span><\/h2>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\">CASTELO DOS DEVAS &#8211; VALE DO AMANHECER<\/span><\/h4>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: georgia,palatino,serif;\">\u00a0<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-444\" src=\"http:\/\/castelodosdevas.com\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/cropped-fotoperfil201409010910.png\" alt=\"cropped-fotoperfil201409010910.png\" width=\"259\" height=\"226\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pequenas viagens!&#8230; O sol j\u00e1 devia estar brilhando na Terra, pois no Plano onde me encontrava, lindos filetes dourados, sem brilho, como que aveludados se espalhavam por sobre aquele p\u00e2ntano distante, l\u00e1 embaixo no Vale Negro. 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